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Seguindo os passos de Maria.

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FOTO TIAGO QUEIROZ / ESTADÃO

Livro da origem de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão: Abraão gerou Isaac, Isaac gerou Jacó, Jacó gerou Judá e seus irmãos, Judá gerou Farés e Zara, de Tamar, Farés gerou Esrom, Esrom gerou Aram, Aram gerou Aminadab, Aminadab gerou Naasson, Naasson gerou Salmon, Salmon gerou Booz, de Raab, Booz gerou Jobed, de Rute, Jobed gerou Jessé, Jessé gerou o rei Davi. Davi gerou Salomão, daquela que foi mulher de Urias, Salomão gerou Roboão, Roboão gerou Abias, Abias gerou Asa, Asa gerou Josafá, Josafá gerou Jorão, Jorão gerou Ozias, Ozias gerou Joatão, Joatão gerou Acaz, Acaz gerou Ezequias, Ezequias gerou Manassés, Manassés gerou Amon, Amon gerou Josias, Josias gerou Jeconias e seus irmãos por ocasião do exílio na Babilônia. Depois do exílio na Babilônia, Jeconias gerou Salatiel, Salatiel gerou Zorobatel, Zorobabel gerou Abiud, Abiud gerou Eliacim, Eliacim gerou Azor, Azor gerou Sadoc, Sadoc gerou Aquim, Aquim gerou Eliud, Eliud gerou Eleazar, Eleazar gerou Matã, Matão gerou Jacó, Jacó gerou José, o esposo de Maria, da qual nasceu Jesus chamado Cristo. (Mt 1, 1 – 16)

Ler a genealogia de Jesus, num primeiro momento, pode nos parecer algo cansativo e difícil de entender. No entanto, é preciso olhar a origem de Jesus como a “expressão de uma promessa que diz respeito a toda humanidade1”. No Protoevangelho, Gn 3, 15, com a queda do homem, Deus faz uma promessa: “Porei hostilidade entre ti e a mulher, entre a tua linhagem e a dela. Ela te esmagará a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar”. Entendemos aqui que há um paralelo entre Maria e Eva. A Santíssima Virgem coopera, com o seu sim a Deus (cf. Lc 1, 38) no evento da Salvação. Eva com sua desobediência diz não a Deus (cf. Gn 3, 13) e sim à Serpente, colaborando com a queda original. A Virgem Maria com seu sim a Deus inicia, por assim dizer, o esmagamento da cabeça da Serpente que será total na Paixão, Morte e Ressureição de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Nós, a humanidade, nascemos de Eva para o pecado. Na ordem da graça, da salvação, nascemos da Virgem Maria.

Voltando a genealogia veremos que são mencionadas quatro mulheres antes de Maria: Tamar, Raab, Rute e a mulher de Urias. Segundo a exegese recente podemos interpretar isso de algumas maneiras, mas a mais importante é que em “Maria há um novo início; o seu Filho não provém de um homem, mas é uma nova criação: foi concebido por obra do Espírito Santo2”. Conforme está escrito em Mt 1, 16: “Jacó gerou José, o esposo de Maria, da qual nasceu Jesus chamado Cristo”. E ainda, “antes que coabitassem, achou-se grávida pelo Espírito Santo” (Mt 1, 18). Não está escrito que José gerou Jesus de Maria. Diz José o esposo de Maria, da qual nasceu Jesus (Cf. Mt 1, 16). Compreendemos até aqui que “a nossa união a Cristo não pode ser separada daquela que é Mãe do Verbo Encarnado e que o próprio Cristo associou intimamente a si para alcançar a nossa salvação3”. Se dizemos, portanto, sermos filho no Filho (cf. Ef 1, 5) somos também de Maria. Pois, “se alguém está em Cristo, é uma nova criatura. Passaram-se as coisas antigas; eis que se fez realidade nova” (2 Cor 5, 17). Se somos novas criaturas em Jesus Cristo, somos igualmente de Maria.

Oração:

Obrigado Senhor, pois reconheço agora que sou filho de Maria. Se antes não tinha devoção alguma a Amabilíssima Mãe de Vosso Filho, Jesus Cristo, assumo agora que deixarei ser cuidado e conduzido pelas mãos da Virgem Maria. Aquelas mesmas mãos que tantas vezes abraçaram a Jesus. Quero ser abraçado por Ela. Quero ser cuidado por Ela. Obrigado Senhor por ter me dado a Virgem Maria por mãe.

“Por causa desta presença Mariana na Economia Salvífica, é muito mais forte e cruel a luta de satanás contra aqueles que são protegidos e assistidos por Maria4”. Ela é a “Mulher vestida com o sol, tendo a lua debaixo dos pés e, sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas” (Ap 12, 1). Ela é a “Mulher do Gênesis ao Apocalipse”. Ela é a “Mãe de Deus Redentor5” que intercede por nós assim como intercedeu nas bodas de Caná (cf. Jo 2, 3).

Testemunho:

Ainda quando estava no mundo ganhei do meu tio uma imagem de Nossa Senhora Aparecida. Uma imagem pequena, dessas que cabe no bolso de uma calça. Eu a ganhei e coloquei-A na minha mochila que usava para ir à Universidade. Certo dia, enquanto fazia os últimos ajustes para ir para aula, os amigos me chamaram para jogar futebol. Resolvi não ir à aula e sim jogar futebol. Mesmo assim levei a mochila comigo. Nessa época pilotava uma moto. Na metade do trajeto o motorista de um carro, que estava estacionado, abriu a porta e eu me bati nela. Com a pancada fui arremessado por cima da moto, caindo no chão no momento em que passava um caminhão carregado de gás de cozinha, o caminhão freou com o pneu dianteiro em cima da mochila próximo a minha cabeça. Assustado e com algumas partes do corpo machucada levantei apressadamente. Na mochila estavam meu caderno, um livro e a imagem de Nossa Senhora. A mochila, o caderno e o livro estavam completamente arruinados por ter sido pisado pelo pneu do caminhão. A imagem de Nossa Senhor estava intacta. Ali foi para mim a certeza de que Nossa Senhor cuidou de mim e me livrou da morte.

Irmão, irmã, não tenha receio de confiar a sua vida a Virgem Maria. Confie tudo a Ela. Pois, “foi por intermédio da Santíssima Virgem Maria que Jesus Cristo veio ao mundo, e é também por meio dela que Ele deve reinar no mundo6”.

Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amém!

Seu irmão,

Marcus Lemos

Servo na Missão Jovens Sarados – Aracaju/SE.

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1 Ratzinger, Joseph, 1927 – A infância de Jesus / Joseph Ratzinger; [tradução Bruno Bastos Lins]. – São Paulo: Planeta, 2012.

2 Ibidem.

3 Paulo VI, proclamação de Maria Mãe da Igreja, discurso de encerramento da terceira sessão do Concílio Vaticano II, 21 de novembro de 1964.

4 Bamonte, Pe. Francesco. A Virgem Maria e o Diabo nos exorcismos, prefácio: Pe. Renzo Lavatori. Paulinas Editora – Pior Velho, 2017.

5 Constituição Dogmática LUMEN GENTIUM, n° 53.

6 Monfort, São Luís Maria Grignon. Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem. 44. ed. Petrópolis: Editora Vozes, 2014.