Caminho de Namoro – O que devo fazer quando gosto de alguém?

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Muitas vezes um casal de jovens quando começam a gostar um do outro, são tomados pela ansiedade e começam a deixar transparecer ao outro de modo precipitado o seu sentimento. Daí em meio às conversas da amizade, um sentimento vai crescendo e tomando conta de ambos. Mas que sentimento é este? Seria um enamorar-se um do outro? Ou será que é um amor que Deus preparou para que os dois vivam “no plano de Deus”. Bem muitas vezes no entanto o que se encontra é na verdade uma mistura de sentimentos gerados pela carência afetiva de ambas as partes, que na ânsia de encontrar alguém já queimam a largada e comprometem até mesmo aquilo que poderia ser bom para a sua vida. E então, quando gostamos de alguém o que devemos fazer?

Geralmente quando um rapaz ou uma moça começam a gostar um do outro, a primeira coisa que fazem é demonstrar isso através de sinais, sejam subjetivos ou objetivos. Começam a curtir as fotos do outro nas redes sociais, começam a longas e intermináveis conversas por mensagens, telefone, chamam pra sair e fazer alguma coisa juntos, daí um sentimento que era apenas um talvez, começa a gerar uma “certeza interior”, como se Deus mesmo viesse nos mostrando que aquela pessoa é realmente a pessoa que Ele preparou para nós. Com isso o casal vai aumentando a intensidade da amizade e começam a deixar mais claro um para o outro que se gostam. Não vou entrar aqui na questão de uma total queima de etapas onde ocorrem beijos e abraços ou coisas mais, deixaremos isso para um outro momento. Então em meio às ansiedades e questionamentos sobre o futuro relacionamento o casal decide ORAR JUNTOS! Por mais contraditório que nos pareça este orar juntos, que era para ser algo lindo e de Deus,passou agora a ser um mar imenso de problemas. Mas Rodolfo? Como assim? O casal não deve desde o início orar junto?

Explico: Em apocalipse o senhor declara: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Começo e o Fim” (Apoc  22,13). Ou seja neste momento o casal ou uma das partes esqueceu-se deste princípio de que Deus deve vir primeiro em todas as coisas de nossa vida. Antes mesmo de começar a se relacionar ou se envolver numa “amizade”; pois se já não somos mais crianças, sabemos quando nossas amizades no fundo do nosso coração tem alguma possível intenção de namoro ou pelo menos de “Ficar”, o que seria demasiado triste a um cristão; o que devemos fazer é orar. A lógica que muitos jovens seguem deveria ser completamente invertida. Antes de se aproximar mais da pessoa, antes de dar a ela sinais de interesse de nossa parte, antes de chamar pra sair juntos, antes de ficar horas de bate papo gerando expectativas, antes de demonstrar sentimento, antes de pegar na mão, tocar, abraçar, beijar… Para, para, para tudo; mas não para falar da filmadora mais vendida do Brasil e sim para ouvir a voz de Deus em nosso coração.

A Pergunta a ser feita com sinceridade é: “Quero realmente um relacionamento? Estou pronto para isso? Meu coração está sarado, curado, transformado para que eu viva em Deus um relacionamento saudável e que gere para o outro e para mim crescimento”? Todas essas perguntas devem ser feitas a nós mesmo antes de querermos nos relacionar com outra pessoa. Somos filhos de Deus e não podemos pegar, usar e jogar fora e nem nos colocar nesta situação de plástico barato e descartável. Somos chamados a ser uma juventude sarada, uma geração de ressuscitados e que busca de verdade a santidade. Isso passa por amar o outro ao ponto de não o ferir em sua afetividade e sua sexualidade. Será que o meu coração está pronto pra me relacionar ou ainda tenho questões interiores a serem trabalhadas? Será que estou pronto para me abrir totalmente a outra pessoa para que ela me conheça profundamente? Será que vou ter a coragem de baixar os meus escudos de incertezas ou até mesmo minhas defesas interiores causadas por traumas de relacionamentos vividos ou presenciados? Será que o meu coração é templo de Deus e minhas feridas emocionais se encontram saradas? Será que vou me entregar, me abrir, contar tudo que o outro queira saber sobre mim? Tudo isso deve ocorrer antes mesmo de levar ao outro o seu sentimento. Assim evitamos a geração de expectativas, anseios, sonhos, projetos que nem ao menos perguntamos a Deus se é ou não da vontade dele e nem a nós mesmos se estamos verdadeiramente prontos para viver.

Orar junto, deve ser feito após uma análise muito franca e sincera de si mesmo, antes desse passo buscar o seu formador, a pessoa que lhe acompanha em seu crescimento na fé e na caminhada deve ser o primeiro passo a dar. Lembremos que quem olha de fora pode sempre ter uma visão mais ampla do que nós e sua oração, suas palavras podem ser exatamente a voz de Deus para a nossa vida. Essa análise de como estamos em nosso caminho formativo deve ser feita junto ao nosso formador sim, pois é orando uns pelos outros que somos curados (Cf. Tg 5,16b). Então somente após toda essa reflexão interior é que devemos iniciar um caminho de namoro. Pois aí já sabemos o que nós mesmos queremos, sabemos se estamos prontos, se somos capazes de dimensionar o que o coração do outro vai gerar de expectativas para um futuro relacionamento. Se fizer diferente disso, o que vamos ouvir? A voz de Deus ou nossas carências gritando dentro de nós? E se esse fogo diminuir como vamos explicar ao outro? Vamos simplesmente virar e dizer que “Deus mostrou que não é pra ser”? Vamos apenas dizer que: “O jeito da pessoa não agradou”? vamos maquiar os motivos ou será que nós mesmos já começamos tudo errado, queimamos etapas e agora usamos a Deus como a desculpa pra nos livrar da situação chata em que nos colocamos?

Se depois refletir tudo isso, você tem alguém por quem tenha um sentimento especial, experimente fazer desta vez de um modo diferente, permita-se experimentar algo novo em sua vida. Primeiro ORE, peça a Deus discernimento, depois peça a Deus para lhe mostrar a sua vida, olhe pra dentro de si mesmo e veja na sua história se hoje você está verdadeiramente pronto para se abrir ao outro e se permitir conhecer, pois o caminho de namoro é exatamente para nos deixarmos conhecer e conhecer o outro, sem escudos, máscaras, reservas. Não podemos agir como lobbystas e marketeiros que vendem ao outro uma ideia, um projeto, um sonho e não lhe mostramos realmente aquilo que verdadeiramente somos, a nossa vida, nosso pensamento, nossos projetos e sonhos. Procure seu formador converse, não tenha medo de investir tempo. Aprendi que: “Aquilo que é de Deus, homem nenhum pode tirar de nós”; ou seja, se for a pessoa que Deus quer que viva este tempo de caminho de namoro com você, a pessoa não será abduzida por Aliens e nem sequestrada e nem mesmo o Don Juan ou a Dona Juana chegarão na sua frente; se chegar é porque não era de Deus. Não falo aqui de passar também a vida toda feito um (a) banana, esperando os anjos virem num coro maravilhoso lhe dizer as coisas, mas estou dizendo que devemos agir da forma correta e no tempo certo, no tempo de refletir as coisas com sinceridade de coração!

Se após esta conversa com o formador, com apessoa que lhe acompanha você ver que sim, é um bom momento para iniciar um caminho de namoro, aí então é o momento de demonstrar ao outro uma amizade diferenciada, conforme a orientação do formador. Se for correspondido (a), aí sim é ora de orar juntos, de iniciar um caminho de namoro, de falar tudo de si e ouvir tudo do outro e seguir pelo caminho de namoro seguindo a cartilha que Deus escreveu para você!